
A mudança requer sempre algo mais de nós. O facto de não estarmos habituados a determinada situação leva-nos a temer e a sentir receio do novo obstáculo.
Sou uma pessoa optimista e, ao inicio, a universidade não me atormentava, contudo quando o momento se aproximou, as minhas reacções paralisaram e os nervos tomaram conta do meu ser. Senti-me clausurada em algo desconhecido, porém afirmo, que nos últimos dias vivi um dos melhores momentos da minha curta existência.
A chegada a Portalegre foi assombrosa, pois encontrava-me numa cidade diferente, com pessoas desconhecidas e ruas sem sentido. Devo confessar que tudo parecia um labirinto em que não encontrava o fio por onde seguir. Por ironia do destino, encontrei nas matriculas uma rapariga que por ventura ia para o mesmo curso que eu. À partida acalmou-me pois não me senti tão perdida. Na primeira noite em que me encontrei sozinha em Portalegre sem os meus pais, eu e essa rapariga decidimos ir ao Plátano. Reza a lenda que quem se sentar debaixo dele ficará encantado pela cidade. Mesmo sendo um pouco céptica devo confessar que a minha opinião sobre Portalegre é o oposto da inicial. Já não me parece um "bicho" mas sim o meu novo lar, já não é o lugar desconhecido mas sim o lugar onde me sinto bem.
É de estranhar esta minha paixão repentina por Portalegre e esta mudança de opinião contudo, nas últimas semanas vivi uma das melhores experiências da minha vida. Deparei-me com as famosas praxes que inicialmente me assustavam. Confesso que não foi facil chegar ao fim e para tal tive de dar um pouco mais de mim. Tive de controlar o meu orgulho e aceitar esta nova forma de integração (defendida pelos veteranos).
Passadas duas semanas intensivas onde a minha vida mudou radicalmente, em que os meus pais não estavam presentes, em que não ia beber café á noite com os fiéis amigos de sempre, em que me senti sozinha, acompanhada, amada e abandonada devo afirmar que me sinto mais forte e sobretudo mais rica. Nas praxes criou-se um espírito de união estrondoso onde andámos todos a lutar pelo mesmo. Alcançámos a satisfação máxima quando nos comunicaram que tinhamos ganho o prémio de "melhor curso do ano"!!! :)
Ao chegar ao fim, chegamos á conclusão que valeu a pena, que cada lágrima, cada suor, cada grito valeu a pena pois, o nível de satisfação e felicidade é estrondoso.
As novas situações exigem sempre algo mais de nós, algo que desconhecemos possuir. A mudança não tem de ser exclusivamente uma experiência negativa e afirmo por experiência própria que esa mudança alcançada aos 17 anos enriqueceu-me deveras e fez-me perceber que o receio e o medo do novo obstáculo é comum e normal.
A compensação do nosso esforço elucida-nos para o trabalho que tivemos e afirmamos que esse "algo mais" é necessário e compensador :)
ESEP - Escola superior de educação de Portalegre
Jornalismo e comunicação :D